Antes de ensinar sobre os Povos Originários, precisamos nos perguntar: o que a nossa escola tem reproduzido? 19 de abril de 2026 — Dia dos Povos Originários
No Dia dos Povos Originários, uma reflexão necessária: o que a nossa escola tem reproduzido e como podemos educar para a diversidade de verdade.
Adna Jaqueline — Coordenadora Pedagógica Educação Infantil e Anos Iniciais
4/19/20262 min read


Hoje não é dia de cocar de cartolina. Não é dia de pintar o rosto e "brincar de índio". É dia de verdade. De respeito. De escuta.
E na escola, esse é um convite que precisa ir muito além do calendário.
O que reproduzimos sem perceber
Durante muito tempo, o dia 19 de abril foi tratado nas escolas como uma data folclórica. Crianças vestidas com fantasias estereotipadas, atividades que reduziam culturas inteiras a um cocar e um arco e flecha de papel. Mas quando a gente para pra pensar com honestidade, percebe que essa abordagem não homenageia ela apaga. Apaga a diversidade, a complexidade e a riqueza dos Povos Originários do Brasil.
Povos Originários são presente. Não são passado. Não são páginas de livro didático. São mais de 300 etnias. São 274 línguas vivas. São ciência, arte, sabedoria, resistência e força. São pessoas que existem agora, hoje, neste Brasil.
E as nossas crianças precisam saber disso.
O papel da escola especialmente na Educação Infantil.
Na Educação Infantil, nosso papel é plantar sementes de respeito antes que o preconceito crie raízes. É apresentar a diversidade como riqueza, não como curiosidade. É mostrar que existem formas diferentes de viver, de brincar, de se relacionar com a terra, com o tempo, com o outro e que nenhuma delas é menor. Criança pequena não nasce com preconceito. Mas ela observa tudo. Absorve tudo. E o que a escola escolhe mostrar ou esconder faz diferença na pessoa que ela vai se tornar.
Diversidade não é projeto de abril. Esse é o ponto mais importante. Trabalhar a diversidade cultural não pode ser uma atividade de uma semana, presa a uma data comemorativa. Precisa estar na rotina, nos livros que oferecemos, nas histórias que contamos, nas imagens que colocamos nas paredes, nas referências que validamos.
Educar para a diversidade é um compromisso de todos os dias.
O que eu acredito. Acredito que a escola precisa ser o lugar onde nenhuma cultura é menor que outra. Onde a criança aprende a olhar o diferente não com estranhamento, mas com curiosidade e respeito. E isso começa com a gente educadoras, coordenadoras, famílias tendo coragem de questionar o que sempre foi feito e escolher fazer diferente.
Adna Jaqueline — Coordenadora Pedagógica
Educação Infantil e Anos Iniciais
